Tenho um problema com a palavra propósito. Não com o conceito — com a forma como ele virou uma promessa impossível. Existe uma narrativa muito difundida de que o propósito de vida é algo que "você descobre" em um momento de iluminação, que ele é grandioso, que muda o mundo e que, quando você o encontra, tudo faz sentido de repente. Essa narrativa faz mais mal do que bem. Porque a maioria das pessoas passa a vida procurando por uma revelação que nunca chega — e conclui que tem algo de errado com elas. Não tem.
A ideia de que cada pessoa tem um propósito único, grandioso e predestinado é sedutora. E completamente paralisante. Porque quando você acredita nisso, qualquer passo que der parece pequeno demais — e se você ainda não "encontrou" seu propósito, sente que está em falta com a vida.
Já atendi mulheres incríveis que estavam completamente travadas por causa dessa expectativa. Mulheres que vivem bem, que têm relações significativas, que fazem coisas que importam — mas que se sentem incompletas porque ainda não identificaram "aquela coisa" que define tudo.
Precisamos largar essa ideia. E substituir por algo mais honesto.
Gosto de pensar em propósito de vida como a direção que emerge quando você conhece seus valores, seus talentos e o impacto que quer ter no mundo. Não é um destino fixo. É uma bússola.
O propósito não precisa ser seu trabalho. Não precisa mudar o mundo de forma visível. Não precisa ser único ou revolucionário. Ele pode estar em como você cuida das suas relações, em como você se apresenta para as pessoas que ama, em como você usa seus talentos específicos em contextos modestos mas significativos.
O que o propósito de vida tem que fazer é uma coisa só: dar sentido. Fazer com que você acorde com a sensação de que o que vai fazer naquele dia importa — pelo menos parte dele.
Antes de falar sobre como construir o seu propósito, vale reconhecer quando você está distante dele. Esses são os sinais mais comuns que vejo nas mulheres que chegam até mim:
O caminho para o propósito não é meditativo nem passivo. É um processo ativo de investigação e escolha. Aqui estão as perguntas que uso como ponto de partida no meu trabalho:
Não existe resposta errada. E as respostas mudam com o tempo — o que é sinal de crescimento, não de fracasso.
Antes de buscar propósito, vale entender seus valores. Porque o propósito que não está enraizado em valores genuínos não dura. Você pode se convencer por um tempo, mas mais cedo ou mais tarde o desalinhamento aparece.
Seus valores são os princípios que guiam suas decisões de forma mais ou menos inconsciente. Quando você os conhece explicitamente, eles passam a ser uma bússola consciente. Criei um Checklist de Valores com 60 valores para identificar, escolher os 10 que mais ressoam com você e depois aprofundar os 5 mais essenciais. É um exercício simples, gratuito e que muitas das minhas clientes descrevem como revelador.
E se você quiser entender primeiro em que fase da sua jornada de propósito você está — se está ainda se reencontrando, se está construindo as bases ou se está pronta para expandir — o quiz abaixo é um bom ponto de partida.
Reencontro, Construção ou Expansão. 7 perguntas para entender onde você está na sua jornada de propósito.
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